Da origem ao destino do funk carioca.

09/09/2010 § 2 Comentários

A maioria das letras do funk carioca contém descrições eróticas, apologia a drogas, violência entre outros assuntos polêmicos, porém muitas vezes omitido pela sociedade. Mas será que sempre foi assim?

Nos anos 80 o funk surgiu com a influencia de um estilo musical americano, os Miami bass. O funk  não possuía ainda letra própria, eram apenas versões. A versão mais conhecida da época foi o rock das aranhas de Raul Seixas. Assim pode-se dizer que os termos eróticos que temos hoje se originaram nessa década, mas com uma diferença: Nos anos 80 tinham como objetivo fazer uma sátira a um assunto proibido; Afinal o fim da ditadura só estava começando.

Na década de 90 o funk passa por duas fases. A primeira fase é no início da década opiniões contestadoras sobre a marginalidade, os preconceitos e descriminações na cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. A música conhecida até hoje feita nessa fase, foi: ‘’ eu só quero é ser feliz ‘’. O que eu reparei na letra dessa música é que sendo em 1990 ou 2010 a letra descreve ainda tudo que acontece nessas comunidades e como nada foi feito para melhorar o meio social e as estruturas precárias que ainda são submetidos.

Na segunda fase, o funk começa a estabelecer um período melódico, mais romântico. Esse período é dado pela influência estrangeira dos Freestyle e chega ao funk carioca fazendo muito sucesso com cantores como o Latino no início de sua carreira. A pouco tempo a atrás esse tipo mais romântico voltou ao funk carioca com ela dança , eu danço de Mc Leozinho.

Em 2000 os bailes funks e suas músicas que eram basicamente marginalizados se tornam populares e chegam ao publico das classes médias e altas. As letras dos funk`s cariocas entram em outra fase parecida com a dos anos 80, com palavras obscenas e vulgares que infelizmente algumas ainda desvalorizam a mulher. Porém, agora a letra não tem mais função de satirizar, apenas de explanar desnecessariamente assuntos ate já escancarados pela sociedade.

‘” Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci

E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar. ’’

Raras são as letras que ainda contestam e isso não é só uma observação do funk, o rock brasileiro, o samba entre outros estilos também estão apáticos. O problema de todos nós é que cada vez mais esquecemos as favelas, que somos vitimas da violência, que ainda perdemos o direito de viver sem causa alguma, que ainda somos submetidos a um sistema que não se importam conosco, que ainda somos considerados um povo alienado, que ainda sofremos preconceitos e descriminações raciais. Esquecemos que a cidade do Rio de Janeiro não é só o seu centro belo e limpo, que também existem a sua margem e que ela também é carioca!

Em 2010 A assembléia legislativa do Rio de Janeiro aprovou a lei onde torna o funk patrimônio cultural do Brasil. Depois de tantas décadas de diversão proibida, pois era considerado’’perigoso’’ para as outras classes, o funk finalmente conquistou o seu espaço, mesmo que não seja social, mas apenas cultural e esse já foi um avanço.

E aí? O que acharam?? Dêem suas opiniões nos comentários!

Beijos, Lara

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§ 2 Respostas para Da origem ao destino do funk carioca.

  • Felipe disse:

    Muito bom o texto, porém há controvérsias. Vamos lá.
    O funk se apresenta sim como movimento social. Diferentemente do samba que precisou sair das favelas, do gueto para se estabelecer em camadas sociais mais elevadas, o funk nunca fez isso. O que ocorreu foi o movimento contrário, camadas sociais “superiores” foram até o morro, até as favelas e comunidadas atrás do famoso batidão. Ele venceu barreiras e paradigmas sociais para que agora boa parte da garotada possa rebolar sem o rótulo de “música de bandido, traficante e favelado”.
    Não gosto de funk, não escuto funk. Mas o respeito pelo cunho sócio-cultural que teve e tem até hoje.
    abraço.

    • docesmeninas disse:

      então a movimentação socil que estava me referindo é de contestação.. e isso ele nao alcançou pelo contraio ocorreu uma decadencia, uma vez que algumas musicas como a do video que coloquei sao raras excessoes do funk que contestaram os problemas sociais. mas sim, entendi o que voce quis dizer com movimento social e realmente concordo com voce aliás é um dos estilos musicais mais adquirido
      ultimamente pela sociedade brasileira. nao deixa de ter adiquitido o seu espaço social, nesse aspecto.
      beijos, lara
      obrigada por ter vindo aqui e se expressado.

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