Doce Leitura: Resenha – Pequena Abelha

10/10/2010 § Deixe um comentário

Típico livro que vai mexer com você de maneira silenciosa. Publicado pela Editora Intrínseca no Brasil, possui 270 páginas de pura realidade e como sempre digo, de puro tapa na cara. Digo que irá mexer com você, porque me deixou em choque em alguns momentos. Passei a maior parte do livro me perguntando até onde nós homens iremos para conseguir o que queremos. E até onde vai a nossa culpa diante de todos os acontecimentos bárbaros (e não divulgados) que ocorrem em países subdesenvolvidos.

O autor não é tão sedutor assim. Na verdade não consegui imaginar o timbre da voz dele dessa vez. Até porque este livro não é algo utópico, ele é chocante, te mexe e te obriga a enxergar o pior de si mesmo. E fora as citações e tiradas que muito publiquei no twitter oficial deste blog. Ele fala a verdade e não tem medo dela.

A história já começa te deixando assustada. Abelhinha (Pequena Abelha) tem apenas 17 anos e passou exatos dois anos presa em um centro de detenção na Inglaterra. Saiu, graças a uma peripécia de uma detenta (favores estritamente sexuais a um dos superiores).

Sarah e Andrew são um típico casal londrino aparentemente vencido pela rotina de um casamento não sucedido. Unidos quando jovens pela paixão em comum ao jornalismo, mas com o tempo perceberam que ambos não eram o par de chinelos velho que todos almejamos. Eles têm um filho (que é um dos personagens mais comoventes do livro) chamado Charlie, de apenas quatro anos que se recusava a tirar a roupa de Batman.

Assim que sentiu liberdade lhe invadir, Abelhinha lembrou-se do casal que conheceu na praia, em um dia fatídico na Nigéria. Tendo consigo a carteira de motorista e o endereço de Andrew resolve ligar, um infeliz fato acontece. Andrew se mata ao ouvir a voz da nossa pequena e sábia Abelha. E aí você fica assim: Caramba, estou na quinta página do livro! (Tipo, ele morreu?)

O destino deste casal se cruzou com o de Abelhinha quando decidiram tirar férias em uma das belas praias na Nigéria. O problema é que eles haviam escolhido um péssimo momento para visitar a África, onde estava havendo várias guerras por petróleo, em outras palavras, uma matança sem fim não divulgada a mídia.

Abelhinha e sua irmã estavam escondidas nesta praia, após passarem dias fugindo dos homens maus que queriam dar fim a vida delas por terem visto demais. Vendo o casal na praia, elas obviamente pedem ajuda.

Bom, a partir deste fato não poderei contar mais. O próprio autor me pede isso na capa do livro. E eu sou totalmente contra spoiler… Então, leiam.

Como citei no primeiro parágrafo, o livro mexe com você, e vou lhes explicar. Não é só porque ele fala de duas moças nigerianas, de um país pobre, disputado lotado de vítimas do dinheiro. Ele te deixa em choque porque nós (eu e você) provocamos tudo aquilo lá. Porque nós somos ambiciosos demais e deixamos pessoas morrerem para no nosso país continuar fazendo parte do 1º mundo (no caso específico do Brasil, o terceiro mundo).

O livro mostra o quão somos ignorantes com a vida, queremos respostas de tudo, não lutamos por nada e vivemos em busca da felicidade sem se dar conta que quem a faz somos nós. Passamos dias, meses e anos e por fim, não construímos histórias nenhuma. Somos fracos e ambiciosos.

Sarah é a segunda narradora do livro. Ela é uma mulher moderna em conflito, acredito eu, como todas nós somos. Bem sucedida, com um filho lindo e magnífico, porém, sem saber quem realmente é e gastando suas lágrimas e dias em busca da própria liberdade. Tudo o que ela mais queria era poder fazer as próprias escolhas.

Cá entre nós, digo que me identifico muito com ela. Não só pelo jornalismo, mas pela busca incessante de ser realmente livre. Gostaria de saber quem tem a real liberdade de ser quem gostaria de ser. Poder ir e vir, comprar, não comprar ou pior, ser alguém na vida. A ligação de Sarah com Abelhinha é tão grande que você mal lembra a diferença de idade como elas. Talvez, nós mulheres confusas e desacreditadas que entraram para o time daquelas que simplesmente não confiam mais em nada, principalmente nos homens, deveríamos ter uma Pequena Abelha para mostrar quanta vida temos, que segundas chances existem, que histórias podem não ter um final feliz, mas, podem ter um desenvolvimento razoável. Do tudo, quase nada se perde.

Antes de ler o livro diria que A Pequena Abelha não entraria no meu IPAD, porque sou aquela menina criada gravando músicas da Roxette na rádio em fita cassete e ouvindo disco vinil enquanto encerava o piso de madeira de casa. Sou aquela que cresceu vendo a Disney e passou a adolescência comprando revista capricho. Ou seja, aquela que mesmo fazendo parte do time que não confia em nada, acredita em contos de fadas.

Não estou dizendo que o desfecho deste livro não é feliz. Quem irá definir isto é você quando lê-lo. Só posso lhe garantir um enorme suspiro. Uma história que mesmo não sendo utópica, você não pode deixar de ler. É boa o suficiente para nos fazer reavaliar a vida. Recomendo de coração 😉

Beijos e o Doce Leitura de hoje se encerra por aqui.

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