Como nossos pais…

14/10/2010 § 1 comentário

Ultimamente tenho pensando muito sobre a minha geração e sinceramente as coisas que refleti não me deixaram feliz. Ouço relatos de diferentes famílias, pessoas e formas de se pensar e resolvi fazer a postagem sobre esse tema tão abrangente como nossa geração. Pra isso, escolhi a música Como Nossos Pais de Belchior e interpretada por Elis Regina, vocês vão entender o porque…

Pode parecer estranho o que vou contar a vocês sobre minha opinião, mas de todo caos que a ditadura militar causou no país também houve soluções. A ditadura pôs senso critico no Brasil, pôs pessoas da nossa idade pra questionarem seus pais, tradições, costumes, religiões; pôs uma idéia e principalmente quebrou os estereótipos e mostrou que o errado para todos também pode dar certo.

‘’não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendei nos discos, quero lhe contar o que eu vivi e tudo que aconteceu comigo… ’’

A vida pode ser estranha quando se vê exatamente como ela.  Nos anos 60 e 70 nossos pais, pelo menos a maioria, estavam vivendo ainda toda essa experiência assim como os nossos avos também viveram seus períodos de revolta e pensamento. E é aí que me pergunto cadê o nosso período? Está enquanto estamos no MSN ou quando entramos no Orkut? Eu também não sei, mas se começa com a vontade de modificar, pois quantas vezes por dia pensamos o que deveríamos falar sobre a sociedade, a família, os diretos, o que é certo e errado? Pensar demais atrapalha qualquer plano, já pensamos o suficiente não acham?

De tantas historias que ouço sobre meus amigos tentando algo maior na vida e sendo impedidos pelos mais improváveis motivos concluo que nossa geração está no ponto de uma nova revolução.  É hora das vivências, de compartilhar conhecimento e achar uma solução; não desmerecendo assuntos menos críticos, mas apenas dando ênfase ao que importa, afinal estamos perdendo os nossos direitos e a liberdade que ainda nem tivemos a chance de ter!

‘’para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua é que se fez o seu braço o seu lábio e a sua voz…’’

Liberdade sexual, liberdade de expressão, liberdade de amar, liberdade de religião, liberdade de decisão. Ah a liberdade… Ao mesmo tempo em que podemos dizer que a liberdade foi o motivo que moveu a ditadura, ela também foi bastante regulada assim como é até hoje. Já ouvi falar que no pensamento ninguém manda, será? Quantas vezes fazemos algo que nós nos sentimos culpados depois de ter feito aquilo antes do que todos previam?

Nós sempre consultamos a opinião do outro antes mesmo de saber a nossa, nem que o outro seja a mídia e claro preocupamo-nos, assim, mais com a imagem  do que nosso desejo. O que mais me impressiona é que o argumento para a liberdade ser limitada desse jeito é simplesmente não ter argumento, pois não exigimos explicações de ninguém apenas nos adequamos à maioria.

‘’Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais… ’’

Ouvi dizer certo dia uma teoria bastante interessante, que o problema que esta gerando tal confusão nesta década é a passagem de três a quatro gerações no mesmo período. Tudo está acontecendo cada vez mais cedo, mas não porque ganhamos voz, e sim porque cada geração quis fazer com seus filhos o que seus pais não fizeram com eles.

Tivemos educações, méritos, deveres, pensamentos diferentes de nossos pais, tanto que temos na adolescência problemas que nossos pais resolviam quando já estavam bem adultos.  Mas, Apesar de tanta reivindicação e revoltas geradas por eles na ditadura, nós ainda vivemos com as mesmas idéias, mesmas promessas políticas, as mesmas preocupações, com os meus ídolos, com a mesma manipulação da mídia, talvez até com o mesmo controle familiar.

Eles tentaram mudar, tentaram um futuro melhor, e em nossa geração ficou a lembrança de uma época de impor a voz do povo, ficou de herança pra nós a coragem de ousar e de ir em frente. Nós somos mais uma esperança da nação e tristemente ainda vivemos como nossos pais. Mas, como diz um filosofo não muito famoso, o tempo é infinito e ainda há tempo de reverter isso.

 

Fiquem agora com  a música como nossos pais a voz da cantora que pra mim é insubstituível: Elis Regina.

 

Bom, esse foi um post e um desabafo. Estou farta de muitas situações que tenho certeza que se não são iguais, parecidas com as da qual se questionam também. Da próxima vez prometo estar menos revoltada.

 

Beijos Lara

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§ Uma Resposta para Como nossos pais…

  • N disse:

    Que texto lindo! E me arrpeiei na parte da liberdade. Eu mesma sou uma louca por ela e a que mais me policio em relação a isso.
    Somos tão paradoxais.

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