Papo de Menina: Intimidades

17/11/2010 § 1 comentário

“Intimidade. Palavra com cinco silabas que significa: tome meu coração e minha alma, faça um sanduiche com os dois e saboreie”

Intimidade é uma merda, como já dizia a minha avó quando eu era criança e nunca entendia o que aquela sábia mulher [que corria atrás dos outros com cabo de vassoura] de cabelos engraçados me dizia. Quando crescemos e passamos a entender como realmente se dá uma relação (não importando qual o tipo) com outro ser humano, aprendemos a intimidade.

Alguns amigos me assustam com tal situação… O Julio consegue me irritar e falar coisas no qual eu não quero saber e também é altamente capaz em adivinhar minha linha de pensamento antes mesmo que eu termine de contar meus planos. Talvez seja porque falo demais e ele também já aprendeu a lhe dar com essa minha proeza. Quem irá saber? O que eu realmente sei, que nós dois temos uma relação insuportável, quase intrínseca, porém, verdadeira.

Peguei o Julio como exemplo, é porque ele deu o empurrão para fazer o Papo de Menina de hoje sobre este assunto. Na verdade, discordando um pouco da minha avó, intimidade pode não ser tão ruim assim, quando, em parte impomos nossas regras. Se isso, por algum obséquio for possível. Entendo que se você tem certo tipo de intimidade com alguma pessoa, significa que esta pessoa realmente tem algo verdadeiro a te dar.

‘Tão desejada quanto temida, difícil de conviver e impossível de não ter’ a intimidade chega sorrateiramente entre dois corações apaixonados ou apenas amigos. Cresce rapidamente e logo toma conta de um longo espaço. Causa infinitas situações constrangedoras e também saudavelmente engraçadas.

Eu não sei lhe dar com intimidade, raras são as pessoas que conseguem tal brecha comigo porque dizem por aí que não sou simpática. Tudo mentira, é claro. Amo me socializar, mas algumas pessoas esquecem que dar a unha, não é dar o dedo inteiro. O que quero dizer com isso, é que se alguém é apenas simpático ou até mesmo só educado com você não significa que ele esteja lhe dando confiança para ser intimo.

Isso chega ser engraçado, existem casos e casos, é claro. Não estou aqui para contar um manual sobre intimidade, afinal, quem sou eu mesmo? Não existe essa questão de ter um manual sobre tal coisa. É só aprender com a vida, a resposta sempre está nela. Meu pai sempre reclama quando digo que eu quero morar fora do país. Alega que irei morrer sozinha e ninguém irá me socorrer: “Estrangeiro é tudo gente fria Mariana, ninguém ajuda ninguém. Você será mais uma brasileira a mercê dos Ingleses. Lá não é legal, se eu fosse você, não sairia daqui.”

Deixando de lado o ciúme e o exagero do meu coroa, no meu ponto de vista não vejo pessoas frias como ruins e sim, reservadas. Faça o teste: Você irá comprar um cigarro (chiclete, bala, chocolate ou qualquer outro item não-importante) numa banca de jornal qualquer dentro do território brasileiro, chegando lá você só faz a pergunta se há tal cigarro de sua preferência e o vendedor diz: Menina, não tem. [Ok, satisfeita com essa resposta, ainda assim ele continua] Ontem eu me enrolei com o pedido, minha filha caiu de bicicleta e eu perdi o papel. Chega hoje, o caminhão do carregamento tombou, foi assaltado e agora estou sem cigarro.

As informações seguintes não eram da minha conta, ainda assim, o famoso jeitinho brasileiro de puxar papo e contar o que não interessa a mais ninguém fala mais alto. Quero deixar claro que mesmo com a minha obsessão com a Inglaterra e todos os ingleses (eu disse ingleses e não inglesas), não sou dessas que acham tudo de fora mais bonito. Até porque no meu mundo não existe gente de fora, ou de dentro. O mundo é um só.

Talvez seja por isso que os ‘estrangeiros’ do meu pai sejam tão frios e insensíveis. Porque meu velho é desses, de ir à padaria e demorar quase duas horas conversando com quase todos (ou todos) que estiverem no seu caminho. Eu sou contra a saliva gasta sem necessidade. Ele é assim, e a cidade inteira se acha no direito de saber da minha quase vida. Entende a intimidade desnecessária? Embora, isso seja cultural. Português fala pelos cotovelos, Italiano não preciso comentar, Africano adora uma celebração e os Franceses são os únicos mais civilizados diante de todos os outros povos que compõem esse povo ‘braseleiro’.

Voltando a usar o Julio como exemplo, nós ‘brigamos’ noventa por cento do dia e nos apelidamos como um casal casados há 10 anos [sem piadinhas, ele é meu amigo]. Há também a Lara, minha alma amiga que pensa exatamente como eu, em quase (ou em todos) os momentos da nossa vida. Não preciso comentar a Caroline, outra amiga que é dona do meu coração… Porque a vida é assim. Estranha com suas facetas e intimidades não queridas.

Ser intimo de alguém é bom/ruim demais. Sentir a dor dele, os medos, aflições e frustrações as vezes é um pouco além do que queremos agüentar. Você pensa: essa batalha não é minha. Mas aí, você já está envolvido demais, porque a intimidade não te deixa. E além das dores, você compartilha alegrias, amores, sabores diferentes, fases e também realiza sonhos com alguém, porque a intimidade lhe permite dividir belos momentos da vida. Ser intimo pode ser verdadeiro.

Eu concluo este texto dizendo que ‘Ser intimo pode ser verdadeiro’ e o Julio, a Lara ou até mesmo a Carol concluiriam de maneiras diferentes. Ele diz que ‘Ser intimo é ser verdadeiro, ainda mais em um mundo cheio de intenções e mentiras’. A Lara colocaria uma música que traduziriam seus sentimentos e a Carol, bom, iria rir sem parar e depois diria: Arrasou amiga!

Um brinde a intimidade que nos permite ser amigos e também a ter amigos.

Beijos


 

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