Quem planta preconceito

18/11/2010 § Deixe um comentário

Esses dias me deparei com uma cena chocante. Havia uma moça andando na rua com uma menina de uns 5,6 anos. E mais a frente um senhor. De repente, caiu uma nota de cinco reais do bolso dele e a menina logo viu e avisou a mãe.  O que a mãe foi capaz de fazer foi dizer: “Corre filha, pega ali”. Na mesma hora a menina olhou confusa pra mãe e disse: “Mas mamãe esse dinheiro não é nosso” e a mãe respondeu: “ Se fosse com a gente, ninguém iria devolver”.  A menina correu, fez o que a mãe mandou e voltou cabisbaixa.

OK, podem estar me chamando de louca por eu querer fazer questão de honestidade a míseros 5 reais. Mas essa cena me chamou bastante atenção, pra ser mais clara, a menina querendo alertar a mãe a ser honesta  me alertou. O que acontece é que quando pequenos,  somos instruídos a sempre fazer a coisa certa, mas falar é muito fácil, na hora de agir realmente de forma justa, as pessoas inventam “desculpinhas egoístas” pra ser injusto com o próximo.   Do que adianta pedir aos governantes mais educação, se a educação de casa não é dada?  Onde está a boa orientação dos valores morais, do caráter de uma criança que no futuro poderá fazer toda a diferença ?

“Crianças não nascem más, crianças não nascem racistas, crianças não nascem más, aprendem o que a gente ensina”

E é mais ou menos isso que a música Quem planta preconceito  do grupo de reggae Natiruts diz.   Acontece que todos só reclamam, mas você já parou pra pensar se você está contribuindo para uma sociedade mais justa? Para um país melhor? Eu acho que nem eu contribuo para isso. Pense nos lugares proibidos que você já estacionou por não achar vaga. É uma coisa que todo mundo pensa que não vai dar em nada, mas além de estar violando as regras, você pode estar prejudicando outra pessoa. Nós somos livres pra fazer o que bem entender, mas há regras para que possamos entrar em harmonia com o todo.

“Quem planta preconceito, racismo, indiferença não pode reclamar da violência”

Porque a mulher ao se ter colocado na situação que mencionei lá em cima, não pensou em que o senhor poderia estar precisando do dinheiro para comprar um pão pra família ou o que seja?! Fico com raiva da tamanha insensibilidade das pessoas e depois querem culpar o próximo de uma coisa que ela mesmo contribui, ainda existem gente que acha que não pratica a violência, mas ser desonesto, desumano pra mim, é o ato mais violento que se pode ter. Comentando sobre o ocorrido com uns colegas, ainda fui obrigada a ouvir a tal afirmação: “Só pode ter sido preta”. Talvez seja isso que tenha me motivado mais ainda a escrever sobre isso e sobre a música.

A violência, o desrespeito, o mau caratismo não ter cor, raça, sexo, nem classe social. Acho que as pessoas já deveriam estar acostumadas com isso, afinal existem diversos políticos bem vestidos, com seus carrões, roubando dinheiro que é de todos nós por direito.  A violência não sai do cano de uma arma e sim da atitude de uma nação. Preconceito, desonestidade, discriminação, indiferença, impunidade… está aí a receita desse bolo “incomível”!

Beijos até semana que vem, Joy

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