É pau, é pedra é o fim do caminho…

27/01/2011 § Deixe um comentário

A sensação que esse verão esta me dando a cada semana que assisto noticiários é que o mundo esta preocupante, mas o Brasil já esta se acabando. Região serrana do Rio de Janeiro, nem consigo acreditar que todos aqueles campos, plantações, e casas com melhora vistas da serra desceram e levaram com elas tantas pessoas e tantas vidas. O  problema um dia vai ser resolvido, eu tenho fé nisso. Mas infelizmente, nunca mais vai ser Friburgo, Teresópolis e Petrópolis de antes.

Junto com tanta lama, as ribanceiras e morros não perdoaram nem as mansões e com elas foi um dos sítios mais visitados por cantores populares brasileiros. O sitio de Tom Jobim em Teresópolis foi carregado junto à imensa derrubada e agora, restaram as recordação de uma inspiração criada ali. É pau é pedra é o fim do caminho…

Sei que já falei sobre essa música aqui no D.R, mas esse fato merecia ser comentado.  Na década de 70, Tom Jobim compôs essa musica em seu sitio em Teresópolis pra descrever as famosas quedas de chuva em março, que diziam os da época que elas avisavam o fim do verão.  Não estamos em março, mas também sabemos que do que jeito que mundo anda o verão nem tem mais mês pra acabar, quanto mais datas pra cair tanta chuva.

Águas de março, a música de tom Jobim não me causava tanto sentimentos, porque sinceramente, como leiga, posso dizer que não a entendia.  Depois de tantas tragédias na cidade que a inspirou, posso dizer que eu não só a entendo como agora quando a ouço só consigo imaginar todas aquelas imagens de morros sem casas, de pessoas com mascaras, de crianças chorando, de águas devastando tudo como se fossem mares.

Se Tom Jobim profetizou tudo em uma musica eu não sei, mas que essa musica descreve exatamente cada situação que ocorreu nas ultimas semanas, isso eu tenho certeza.  São as águas de março fechando o verão, a promessa de vida no seu coração…

Se puderem leiam a letra, é realmente assutadora de tão real:

“ É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração ”

Tom Jobim.

Beijos Lara.

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